Arquivo mensal: outubro 2011

Prêmio Qualidade no Ensino de Graduação em Biblioteconomia

O Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB em parceria com a Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação – ABECIN lançam o Prêmio Qualidade no Ensino de Graduação em Biblioteconomia, que tem por principal objetivo homenagear as instituições de ensino nacionais em seus cursos de graduação em Biblioteconomia pela excelência no desempenho de suas atividades.

O Conselho Federal de Biblioteconomia, ampliando seu escopo de atuações, busca valorizar a qualidade dos cursos brasileiros de Graduação em Biblioteconomia. Nesse sentido o CFB, em parceria com a ABECIN, premiará os cursos que obtiverem pontuação significativa de acordo com o instrumento de avaliação a ser preenchido pelo Coordenador ou responsável.

Vale ressaltar que tal ação não tem intuito classificatório; o que se pretende é agraciar os Cursos que atenderem aos itens apresentados pelas duas Instituições.

A entrega do Prêmio ocorrerá a cada 3 (três) anos em data e local a ser definido pelo CFB e ABECIN.

Fonte: http://www.cfb.org.br/premioqualidadensino/index.php?pagina=home

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Livro: Arquivos para quê?

Arquivos para quê? dá prosseguimento à política de responsabilidade do iFHC com relação à reflexão necessária sobre os arquivos e seu significado. Estes não são reservados aos especialistas, mas são a nossa memória coletiva e indispensáveis para conversar cada etapa da sociedade.

Em novembro de 2007, o pesquisador francês Bruno Delmas, Professor Titular de Arquivística Contemporânea, da École Nationale des Chartes (Paris, França), esteve no iFHC para abrir um seminário internacional com a conferência “Arquivos, estados e sociedades, os desafios do século XXI”.

Embora sua fala e dos demais participantes desse encontro estejam publicadas desde então no site do Instituto, a evolução recente da nossa sociedade, dita “da informação”, “de redes sociais” e, agora, de “wikileaks”, nos instigou a divulgar as inquietações desse eminente pesquisador.

Fonte: http://www.ifhc.org.br/index.php?module=conteudo&class=livro&event=ver&id_livro=640

 

Acervo da Fale oferece a pesquisadores objetos que revelam trajetórias criativas de seis novos escritores mineiros

Data de publicação: 27/10/2011-10-27

Por UFMG Notícias

Se a pesquisa sobre obras literárias não se baseia mais apenas na análise dos textos publicados, mas também em cartas, manuscritos rasurados, reflexões rabiscadas em papéis soltos – como preconiza a chamada crítica genética –, estudantes e pesquisadores têm seis novos e importantes “motivos” para incorporar a sua rotina visitas ao Acervo de Escritores Mineiros (AEM) da UFMG. O Centro de Estudos Literários e Culturais (Celc) da Faculdade de Letras (Fale) inaugurou na última semana os arquivos de seis novos autores: Carlos Herculano Lopes, Fernando Sabino, José Maria Cançado, Lucia Machado de Almeida, Octavio Dias Leite e Wander Piroli.

Localizado no terceiro andar do prédio da Biblioteca Central, no campus Pampulha, o AEM já contava com originais, objetos pessoais, bibliotecas e obras de arte de Abgar Renault, Cyro dos Anjos, Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião e Oswaldo França Júnior. Parte dos objetos fica exposta em cenários que reproduzem os ambientes de trabalho dos escritores, com peças como estantes, mesas, máquinas de escrever e até alguns mais inesperados, como a bateria de Fernando Sabino, músico nas horas vagas.

Bibliotecários, técnicos especializados e bolsistas trabalham para oferecer infraestrutura operacional para a atividade de pesquisa, permitindo consulta no local, com acesso a bancos de dados da Universidade.

Trajetórias criativas

O material incorporado nos últimos anos e agora disponível – desde 60 cadernetas de bolso de Fernando Sabino até cartas trocadas entre Lucia Machado de Almeida e Cecília Meireles – vai ajudar a compreender as trajetórias criativas de cada um dos escritores, para além da crítica da obra considerada como texto acabado. “A crítica genética, que se desenvolveu em meados do século 20 na França, considera a virtualidade do texto, valorizando aspectos como palavras que foram substituídas no processo de escrita”, explica o professor Reinaldo Marques, diretor do Celc.

Ele exemplifica com as cartas trocadas entre Henriqueta Lisboa e Mário de Andrade, já estudadas pela professora emérita da UFMG Eneida Maria de Souza (leia mais), e com as anotações sobre estilo feitas por Rosário Fusco num exemplar da primeira edição de O encontro marcado, muitas delas incorporadas por Fernando Sabino na edição seguinte. Segundo ele, essa abordagem genética se expandiu para a arquitetura e a pintura (cujos estudos dão extrema relevância aos “esboços”) e até as ciências humanas. Essas páginas estão exibidas em vitrine que compõe a exposição O Laboratório do Escritor, que pode ser visitada no espaço do EAM. A mostra contém uma série de objetos que revelam o que os organizadores chamam de “bastidores da criação”.

Reinaldo Marques destaca que os arquivos do AEM permitem pesquisas diversas, incluindo aquelas com base em passagens e aspectos da vida do artista. “O arquivo literário potencializa a crítica biográfica e contribui para o resgate da ideia do autor como sujeito histórico”, ele diz. Segundo o professor da Fale, acervos da UFMG possibilitam também estudos sobre a recepção literária, tomando como objeto de investigação recortes de jornais e revistas que os escritores guardavam, com críticas e análises de suas obras. Ele conta, a propósito, que Abgar Renault e Carlos Drummond de Andrade, que viviam respectivamente em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, trocavam recortes. Um separava e enviava ao outro o material a que este último não tinha acesso.

Tratamento museográfico

Segundo Reinaldo Marques, a preocupação com os arquivos de escritores ganhou força no Brasil na década de 1960, com a criação do Instituto de Estudos Brasileiros na USP, e as universidades têm desempenhado papel complementar importante, uma vez que os arquivos públicos não cumprem sua função nessa área. Ele conta que a Unicamp guarda acervos como os de Oswald de Andrade, Hilda Hilst e Sergio Buarque de Holanda. Na PUC gaúcha, estão os fundos documentais de Mario Quintana e Érico Veríssimo.

Uma característica do AEM que destaca a UFMG, de acordo com o diretor, é o tratamento também museográfico que é dispensado aos arquivos – ou seja, objetos pessoais e obras de arte, entre outras peças, são expostos de forma a que haja comunicação eficiente da informação contida no acervo. Para aprimorar o trabalho, o Centro de Estudos Literários e Culturais pretende incorporar futuramente arquivistas e museólogos ao seu quadro de servidores concursados.

Reinaldo Marques anuncia também a intenção de digitalizar e disponibilizar online o acervo, com o objetivo de ampliar o acesso e proteger os livros e objetos. Os projetos do Celc têm apoio da Faculdade de Letras da UFMG, da Fapemig, do CNPq e da Capes.

Os novos escritores

O único vivo entre os autores da nova safra do AEM é Carlos Herculano Lopes, escritor e jornalista. Entre seus objetos doados à UFMG estão as correspondências com Jorge Amado e Lygia Fagundes Telles. Reinaldo Marques conta que já solicitou ao escritor que guarde também peças como pen drives e discos rígidos, que no futuro serão fontes de pesquisa sobre autores das gerações atuais.

O acervo do poeta, advogado, jornalista e agitador cultural Octavio Dias Leite contém desenhos de Antonio Bandeiras, cartas de Graciliano Ramos e uma biblioteca “fantástica”, segundo Marques, com livros raros como primeiras edições de Clarice Lispector autografadas.

Wander Piroli, contista de temática urbana, aparece com cartas e documentos que revelam, entre outras facetas, sua paixão e seu conhecimento de Belo Horizonte.

As doações da família de Lucia Machado de Almeida, que se dedicou especialmente à literatura infanto-juvenil, incluem móveis, objetos pessoais e um piano Pleyel, da primeira década do século 20. Há ainda cartas de Cecília Meireles e documentos relacionados a suas atividades em defesa do patrimônio histórico e cultural. Lucia escreveu os famosos “Passeios” a Sabará, Diamantina e Ouro Preto.

Do crítico literário José Maria Cançado, o AEM passa a disponibilizar dois livros inéditos de poemas e diários, que poderão ser editados pela UFMG, assim como suas críticas publicadas em jornais.

A biblioteca de Fernando Sabino é uma das maiores do AEM. Há também objetos pessoais, como sua bateria, que integraram uma exposição que correu o Brasil, cópias de filmes que poderão ser restauradas e 60 cadernetas de bolso com anotações que ainda não são conhecidas da equipe de pesquisadores da UFMG.

Fonte: http://www.ufmg.br/online/arquivos/021468.shtml

Repassando a informação do movimento estudantil da UFMG

Galera, na quinta-feira (27-10) vamos almoçar no bandejão muito bem arrumados para um almoço digno de um restaurante elegante! Vamos de PRETO para velar a Assistência Estudantil e protestar contra o aumento do Restaurante Universitário!

“NÃO É MOLE NÃO , NÃO É MOLE NÃO
TODO DIA IR PRA FILA DO BANDEIJÃO , NÃO É MOLE NÃO !

O ALMOÇO TÁ CARO , ISSO É EXPLORAÇÃO
PARECE QUE EU TO PAGANDO UM ALMOÇO NO PORCÃO, NÃO É MOLE NÃO

Senado aprova Lei de Acesso à Informação

Data de publicação: 25/10/2011

Por Andrea  Jubé Vianna

O Senado aprovou hoje, por maioria de votos, o projeto de lei do Executivo que regulamenta o acesso às informações oficiais, com as modificações feitas pelos deputados. O texto aprovado fixa o prazo máximo de segredo dos documentos em 50 anos, eliminando a hipótese de sigilo eterno.

“É preciso deixar bem claro que a Lei de Acesso à Informação não será voltada apenas ao passado, mas também para o cidadão saber controlar como estão sendo investidos os recursos do governo”, afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA), cujo parecer havia sido aprovado em três comissões temáticas antes de seguir ao plenário.

Em 47 artigos, o projeto descreve os procedimentos para que União, Estados e municípios garantam o acesso dos cidadãos a informações públicas. A proposta prevê três níveis de classificações de documentos: ultrassecretos, que terão prazo de sigilo de 25 anos, secretos, com sigilo de até 15 anos, e reservados, que serão abertos após cinco anos. Esses prazos poderão ser renovados apenas uma vez. Pela legislação em vigor, o sigilo dos documentos ultrassecretos é de 30 anos.

Fonte: https://blogdaeci.wordpress.com/2011/10/26/profissoes-pouco-populares-que-ganham-espaco-nos-concursos-publicos/

Profissões pouco populares que ganham espaço nos concursos públicos

Data de publicação: 26/10/2011

Por Amanda Moura

A escolha da carreira a seguir normalmente é cercada por indecisão e muita expectativa dos mais próximos. As alternativas clássicas, como medicina e direito, são sempre bem-vindas. Mas o anúncio da escolha de cursos menos populares, como arquivologia e biblioteconomia pode causar estranheza. A pergunta que, provavelmente, surgirá é: há mercado para essas carreiras? Sim, há! Apesar de pouco conhecidas, são opções interessantes aos que buscam uma vaga no mercado público.

Só este ano, Banco do Brasil, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) ofereceram oportunidades para bibliotecários e arquivistas. Dentre os candidatos à vaga na Finep, Isabela Siebra foi uma das bem-sucedidas no concurso. A bibliotecária está aguardando agora ser chamada para a vaga.

– Estou muito animada e ansiosa para ser chamada para a Finep. Inclusive, já passei também para a Uerj e pro Ministério Público, mas ambos são para cadastro de reserva. Sempre atuei na minha área, nunca tive problemas com isso – afirma Isabela, 41 anos, formada desde 1991, e atualmente trabalhando na biblioteca da Faculdade da Academia Brasileira de Educação e Cultura (Fabec).

Alex Mendes, professor da Academia do Concurso, analisa o cenário dessas carreiras:

– Em muitos concursos, o número de candidatos com a qualificação exigida ou que se interessem pela função gera baixa procura relativa, considerando a média de demanda por outros concursos. Essas vagas são pouco divulgadas e, consequentemente, desejadas, gerando, assim, uma relação candidato vaga mais atraente.

O arquivista Renato Valentini também não tem do que reclamar sobre sua área. Há um ano e meio atuando nos arquivos da Fiocruz, o profissional lamenta apenas a pouca importância dada a profissão.

– A procura por essas carreiras ainda é baixa, considerando a importância delas. Porém, venho notando nos últimos anos alguma melhora nesse sentido. As pessoas estão começando a valorizar aqueles que organizam e facilitam o acesso a documentos importantes para a história da sociedade.

Marcelo Marques, diretor do Concurso Virtual, destaca ainda outras carreiras que também apresentam muitas vezes interessante relação candidato-vaga:

– Vejo isso ocorrendo também, por exemplo, com cargos como políticas públicas e gestores públicos, em função do fracasso da modernização que a administração pública vem passando – opina Marques.

Mendes lista, ainda, mais carreiras nas quais a busca é abaixo do esperado:

– Concursos para museologia, serviço social e relações públicas são alguns casos. São carreiras atraentes de nível superior, com boa remuneração, benefícios e, o mais importante, estabilidade. Mas acredito que a tendência é que ocorra, nos próximos anos, com a profissionalização do serviço público e os ajustamento de conduta, provocando a demissão dos terceirizados, uma busca ainda mais efetiva por carreiras, até então, desprezadas.

Marques finaliza com um incentivo:

– As pessoas ainda não têm tanto conhecimento das oportunidades em algumas carreiras específicas que os concursos oferecem. Inclusive, muitas pessoas que têm diploma de nível superior acabam fazendo concurso para nível médio acreditando ser mais fácil de passar. E, na verdade, isso é um mito. Atualmente, a concorrência dos concursos de nível médio está muito grande, o que, consequentemente, faz com que o concurso seja mais disputado, dificultando o ingresso. Portanto, acredite nessas oportunidades específicas.

Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/boachance/mat/2011/10/25/profissoes-pouco-populares-que-ganham-espaco-nos-concursos-publicos-925652449.asp

Em tempos de informação veloz, bibliotecária Ana Paula Amaral trabalha com preservação do direito autoral

Data de publicação: 24/10/2011

Por CRB 6ª Região

Por se tratar de um assunto complexo, a Fundação Dom Cabral (FDC) desenvolve um trabalho interessante quanto à preservação dos direitos autorais dos textos, imagens e vídeos que utiliza. Todo o conteúdo apropriado pela instituição em cursos, aulas e serviços prestados só é destinado ao público depois que o autor, editora ou instituição detentora dos direitos concede o uso. E para verificar esta disponibilidade a instituição integra gestores de informação, editores e bibliotecários. E é nesse contexto que Ana Paula de Oliveira de Amaral desenvolve seu trabalho há sete anos.

“Geralmente os coordenadores de cursos interessados em determinado documento entram em contato com a biblioteca ou com um responsável da CED (Célula de Edição de Documentos) para verificar a questão do direito de uso do documento e a forma como esse documento poderá ser utilizado”, exemplifica a bibliotecária uma das partes do processo. Após esse ‘mapeamento’, a instituição solicita a autorização, obtendo ou não o direito de uso.

O que não falta, nesse sentido, são histórias para exemplificar. A família de um escritor mineiro já falecido concedeu o uso de parte de capítulo de um livro através de uma carta. Já Geoff Hart, autor de ‘Estimating Project Times’ só liberou os direitos do artigo após a FDC lhe enviar a tradução em português do seu artigo, como uma troca: a instituição poderia fazer uso do documento e o autor teria o seu artigo traduzido em outra língua e conhecido pelo público brasileiro.

Desafios também não faltam: da cotação do dólar à negociação com editoras. “O uso de artigos de periódicos internacionais, geralmente, está condicionado à compra, em dólar, o que pode superar o custo estimado, para uso do documento em curso da FDC. Outra dificuldade é quando recebemos uma negativa para uso de um determinado documento e o solicitante não compreende. Por vezes, os solicitantes acham que a biblioteca é que não quer autorizar, sendo que na verdade foi o autor, a editora ou a instituição que não concedeu o direito de uso”, conta a bibliotecária.

RESPEITO
Em tempos de informação veloz, tratada como commodity em sites e redes de informação, o exemplo do trabalho realizado por Ana Paula Amaral deve ser considerado como um ato de respeito. Dentre outras considerações, a Lei 9.610/98, julga que depende do autor a autorização prévia e expressa quanto à utilização da obra para reprodução parcial ou integral, edição, adaptação, tradução, distribuição e oferta do conteúdo, dentre outros fatores. Assim, o papel do profissional de Biblioteconomia é o de coordenar as melhores práticas para uso da informação. “Sensibilizar solicitantes, editoras, autores e instituições sobre a importância da informação como construção de conhecimento. Preservar o direito de uso e o acesso a informação. E mesmo quando a informação, por vezes, for tratada como mercadoria, ao comprá-la, devemos perceber seu fim maior: a construção de idéias”, completa Ana Paula.

Fonte: http://www.crb6.org.br/noticias_crb.php?codigo=326

Eventos Científicos: Biblioteconomia e Arquivologia

II Seminário de Acervos Raros

Data: 7 e 11 de novembro

Local: Biblioteca Central – UFMG

Site: http://www.bu.ufmg.br/index.php/inicio/718-inscricoes-abertas-para-o-ii-seminario-de-acervos-raros.html

IV Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias

Data: 22  a 24  de novembro  de 2011

Local: SESC Pinheiros – São Paulo

Site: http://www.bibviva.com.br/index.asp

II Semana Acadêmica de Arquivologia

Data: 24 a 27 de outubro de 2011

Local: Auditório do Centro de Ciências da Educação- CED – UFSC

Site: http://arquivologia.ufsc.br/2011/10/03/ii-semana-academica/

A Arquivística e a Ciência da Informação: um diálogo possível?

Data: 23/10/2011

Por Natália Tognoli

Há exatamente um ano, estava na Espanha, em Zaragoza, apresentando um trabalho no XV Ibersid (Encuentros Internacionales sobre Sistemas de Información y Documentación),  intitulado: “Ciência da Informação e Arquivística: um diálogo possível a partir da informação registrada”, fruto de algumas reflexões sobre a inserção da Arquivística no âmbito das disciplinas que compõem a Ciência da Informação (CI), e achei que seria interessante discutir aqui essa relação (aproveitando o boom de visitas que o blog recebeu, em decorrência do último post).

No Brasil, na estrutura das agências de fomento à pesquisa a Ciência da Informação está inserida nas chamadas “Ciências Sociais Aplicadas”, englobando a Arquivística, a Biblioteconomia e a Museologia, denominadas por Smit (1993) como “as três Marias”.

Essa visão coloca a CI como uma grande área, uma disciplina científica que rege as práticas arquivísticas, biblioteconômicas e museológicas, cujo objetivo é garantir que a informação registrada e institucionalizada possa ser acessada e disseminada de maneira rápida e eficaz.

Neste contexto, a Arquivística e as outras disciplinas citadas, emergem como práticas de uma ciência maior. A CI propõe um objetivo: estudar os processos de produção, organização e uso da informação, enquanto que as outras disciplinas colocam em prática esses processos. Como bem destacou Guimarães (2008, p. 33)

[…] há de se ter em conta que a Ciência da Informação, enquanto área de estudos encontra fulcro em um conjunto de práticas que, no          decorrer, ao longo do tempo, foram se consolidando, no mais das vezes ligadas a fazeres específicos contextualizados em ambiências específicas.

Especificamente no campo arquivístico, essa visão é ainda muito discutida. Enquanto que em alguns países, como França e Itália, os cursos de Biblioteconomia estão seguramente inseridos nos departamentos de Ciência da Informação, os cursos de Arquivística estão inseridos em departamentos de História nas Universidades, ou até mesmo em Arquivos Históricos (como já foi discutido neste blog, em postagens anteriores).

Não é raro, ainda, encontramos os famosos teóricos da Arquivística Contemporânea, definindo a CI como uma área da tecnologia, como é o caso de Luciana Duranti. Quando estudei as abordagens que emergiram no Canadá nos anos 1980 e constituem hoje o supra-sumo da Arquivística contemporânea, pude observar que, embora todas as abordagens trabalhem com o conceito de informação orgânica, apenas a Arquivística Integrada se vê inserida em uma área maior, no caso a CI.  Isso demonstra uma carência dos estudos relativos à informação enquanto objeto da Arquivística.

A realidade brasileira deveria constituir uma exceção. Digo isso porque no Brasil, embora os cursos de Arquivística estejam inseridos majoritariamente nos departamentos de Ciência da Informação nas Universidades, demonstrando uma tentativa em aproximar disciplinas relacionadas, a interdisciplinaridade raramente ocorre.

No texto que apresentei no Ibersid, eu disse que a realidade brasileira era uma exceção, mas hoje vejo que não é bem assim. O maior exemplo dessa não-integração é a intenção de criar um Mestrado na área de Arquivologia que, hoje, é apresentada como uma sub-área nos Programas de Pós-Graduação em CI.

A Arquivística é uma disciplina relativamente nova e baseada fundamentalmente na prática, mas que pode encontrar na Ciência da Informação – especificamente no cenário brasileiro – um espaço científico capaz de fundamentar a produção, a organização e o uso da informação orgânica registrada. No entanto, acredito que esse diálogo só será possível a partir do momento em que identificarmos a informação orgânica registrada como o objeto da Arquivística, não esquecendo, porém, que essa informação deve ser tangível e passível de organização (information-as-a-thing, como definiu Buckland).

Dessa forma documento/informação devem estar sempre associados uma vez que a informação deve ser registrada em um suporte, para que possa ser processada, organizada e utilizada (processos nucleares da CI).

Acredito, sinceramente, que a realidade arquivística brasileira é privilegiada por estabelecer essa relação com a Ciência da Informação e que, se soubermos aproveitar essa interdisciplinaridade, poderemos avançar muito nos campos teórico e metodológico, uma vez que a Arquivística, sozinha dificilmente fará verão. Ainda temos muito que aprender, e a Ciência da Informação muito a nos ensinar então, porque não aproveitar?

Referências:

GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Ciência da Informação, arquivologia e biblioteconomia: em busca do necessário diálogo entre o universo teórico e os fazes profissionais. In: GUIMARÃES, J.A.C; FUJITA, M.S.L. (org.). Ensino e pesquisa em biblioteconomia no Brasil: a emergência de um novo olhar. Marília: Cultura Acadêmica e Fundepe, 2008. 33-43.

TOGNOLI, Natália Bolfarini ; GUIMARÃES, José Augusto Chaves . Ciencia de la Información y Archivística: un dialogo a partir del concepto de información registrada. In: GARCIA MARCO, Francisco Javier. (Org.). Revista de Sistemas de Información y Documentación. Zaragoza: Prensas Universitarias de Zaragoza, 2010, v. , p. 131-136.

SMIT, Johanna W. O documento audiovisual ou a proximidade entre as três Marias. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, 26, 1, 1993, 81-85.

Fonte: http://ladiplomatica.blogspot.com/2011/10/arquivistica-e-ciencia-da-informacao-um.html?spref=fb

Eventos Científicos: Gestão da Informação, Arquitetura da Informação, Análise de Discurso, Biblioteconomia, Museologia

XIII Jornadas de Gestión de la Información

Tema: Da Responsabilidade ao Compromisso Social

Data: 17 e 18 de novembro de 2011

Local: Biblioteca Nacional da Espanha

Site: http://www.sedic.es/xiii_jornadasgestion/index.htm

5º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação

Data: 21 a 22 de outubro de 2011

Local: Auditório do CRQ 4ª Região

Site: http://www.congressoebai.org/

V Jornada Nacional e I Internacional em Análise do Discurso na Ciência da Informação

Tema: Leitores de Imagens

Data: 7 e 8 de novembro de 2011

Local: UFSCar

Site: http://www.jornadaadci.ufscar.br/

I Jornadas sobre Bibliotecas de Museos

Tema: Novos meios e novos públicos

Data: 28 a 30 de novembro 2011

Local: Auditorio Museo del Traje. Centro de Investigación del Patrimonio Etnológico.

Site: http://www.mcu.es/novedades/2011/novedades_IJornadasBibliotecasMuseos.html

II Simpósio de Museologia Científica

Tema: De 3 a 7: Infância e Museus de Ciências

Data: 18 a 19 de novembro de 2011

Mais informações: http://files.gomezacebo.com/II%20Simposio_de_museologia.pdf