Coluna

Arquivista com “A” maiusculo


Marcela Thimóteo


André Porto Ancona Lopez, foi o patrono da turma de Arquivologia do segundo semestre de 2006 da FACE-UnB. Em seu discurso na solenidade afirmou que aqueles formandos seriam Arquivistas com “A” maiúsculo.

“Arquivista com “A“ maiúsculo, não é aquele que apenas guarda documentos, papéis velhos, em qualquer pasta ou gaveta aplicando, sem pensar, algumas técnicas de ordenação encontradas em algum velho manual. Estes Arquivistas que aqui estão, com” A “maiúsculo, são profissionais que, ao organizar documentos de arquivo – sejam os tradicionais, em papel, sejam os documentos eletrônicos – irão sempre se remeter aos princípios da Arquivologia.

Estes Arquivistas, com “A” maiúsculo, terão em seus ombros uma grande responsabilidade com a sociedade (…) Uma vez que “a transparência administrativa depende da transparência dos critérios arquivísticos. Tais critérios estabelecerão as possibilidades e os limites de acesso, análise e utilização dos documentos. Sem arquivos transparentes, não pode haver democracia plena; e sem Arquivistas qualificados, não há transparência nos arquivos”.

Para André Lopez o Arquivista é um profissional pouco valorizado e tem um papel-chave no presente, “contribuindo para a eficiência administrativa das instituições”. E também um papel-chave no passado e no futuro. Ele citou George Orwell, quando caracteriza a sociedade do livro 1984: “quem controla o presente controla o passado; quem controla o passado controla o futuro”. Deste modo, “os arquivistas são importantes agentes no processo de preservação e construção do nosso passado, da nossa memória. Esta memória nos permite determinar quem somos e de onde viemos. Sem construir esta identidade e memória, nossos próximos passos não terão firmeza; não será possível construir o futuro”.

O professor finalizou seu discurso lembrando Luciana Duranti: “o documento de arquivo é o documento final, aquele que, após uma série de trâmites, está realmente apto a produzir conseqüências. O melhor exemplo disso é o documento que eles agora receberão: o diploma de Arquivista, resultado de um processo de construção de conhecimentos e habilidades.

Fonte: Aquivoacao

XXX

Quando eu crescer quero ser bibliotecário!


Você já ouviu alguma criança falar isso? Afinal, o que é ser bibliotecário nos primórdios do século 21, com todo um avanço tecnológico na sociedade da informação?

Onde está a importância desse profissional e o seu reconhecimento sócio-educativo e cultural em nossa sociedade?

No Brasil, temos 39 escolas de formação acadêmica de onde saímos com o grau de bacharel (segundo dados do Conselho de Biblioteconomia da 1ª região), o vestibular não é tão concorrido quanto os outros cursos tradicionais, que deslumbram status, porém, na sua remuneração, esse profissional pode estar muito bem na tabela salarial comparado a outros profissionais liberais.

Mas, voltando a pergunta inicial, você já ouviu uma criança dizer que quer ser bibliotecária? E os pais ficarem encantados com a escolha da profissão e saírem comentando aos quatro cantos que seu filho vai ser bibliotecário, que ele está cursando biblioteconomia? Provavelmente não. E por que não? Eis as minhas indagações: as pessoas, na sua grande maioria, não buscam a informação além das emissoras de rádio e televisão, quando vão às bibliotecas de suas escolas, sejam elas públicas ou privadas, raramente encontram um bibliotecário disponível para atendê-lo. Isso quando a escola tem biblioteca e bibliotecário.

Nas universidades privadas e públicas, esse profissional sempre está envolvido com processamentos administrativos ou técnicos. Nas outras áreas em que ele atua, raramente aparece em frente a um projeto, se mostrando no sentido denotativo da palavra, não que ele não se envolva, alguns chegam até a ser parte essencial daquele projeto, porém ficam inibidos na hora de utilizar seu marketing pessoal, existem exceções, mas são raras. Recentemente, um colega comentou que seu ex-supervisor, um homem graduado, questionou por que precisamos cursar quatro anos de faculdade para exercer a função de bibliotecário, tendo ele como área de percepção o espaço biblioteca, porque, apesar de atuarmos em qualquer unidade onde possa existir informação, seja ela bibliográfica ou não, o bibliotecário, na mente da maioria dos mortais, ainda está vinculado às estantes de livros organizados verticalmente.

Para muitos, faz-se necessário apenas guardar os livros nas prateleiras e emprestá-los quando alguém precisa consultá-los ou fazer uma pesquisa. Daí eu questiono aos colegas bibliotecários e aos órgãos de classe, que nos representam como pessoas jurídicas, onde está a visibilidade da profissão?

Será que está apenas em um cartaz parabenizando pelo dia 12 de Março, que comemora o dia do bibliotecário e o nascimento de Manuel Bastos Tigre, bibliotecário que se projetou na biblioteconomia pelas suas ações em prol da profissão, exerceu a profissão por 40 anos sendo o primeiro bibliotecário concursado no Brasil em 1915? Onde está a nossa auto-estima? O que fazer para que a sociedade conheça esse profissional, que os nossos filhos nos olhem com orgulho e que as crianças despertem o interesse em um dia, quando crescerem, terem como opção, além da carreira das áreas médica, advocacia, engenharia, a biblioteconomia sem se sentir pequeno, porque qualquer profissão, seja ela de cunho liberal ou não, quando é exercida e temperada com vocação, prazer e uma remuneração justa, merece todo o reconhecimento e respeito de uma sociedade em desenvolvimento que tem como alicerces políticos a educação como prioridade para alcançar o posto de primeiro mundo.

Marcos Soares
Bibliotecário daUFPE
CRB4/1381

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  1. Os bibliotecarios tem que ir em busca das respostas, pois os questionamentos pessoas de outras áreas já fazem.

  1. Pingback: Arquivista com “A” maiúsculo. « Blog do D.A. ECI

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